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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Ex agente da CIA deixa Obama em situação difícil com norte-americanos

Ex agente da CIA deixa Obama em situação difícil com norte-americanos

10/6/2013 14:31
Por Redação, com agências internacionais - de Hong Kong

Snowden pensa em pedir asilo na Islândia
Snowden pensa em pedir asilo na Islândia
O jovem norte-americano de 29 anos chamado Edward Snowden, ex-técnico da CIA que trabalhou como consultor da Agência Nacional de Inteligência dos Estados Unidos (NSA), assumiu a responsabilidade pelos recentes vazamentos sobre a espionagem do governo dos EUA, segundo divulgou neste domingo o jornal The Guardian. A reação junto ao público norte-americano foi imediata, com uma série de mensagens de protestos contra a política de Obama na rede social de microblogs Twitter sendo dirigidas à Casa Branca.
Snowden trabalhou durante quatro anos para a NSA como empregado de várias companhias beneficiárias de contratos de defesa, sendo a última delas a Booz Allen Hamilton, da qual teve acesso a informações secretas. O jovem passou uma década ligado à inteligência norte-americana, primeiro como engenheiro de computação da CIA, em Genebra, depois como consultor em várias empresas de defesa estrangeiras que colaboram com a NSA, revelou ao Guardian. O jornal britânico afirmou que decidiu divulgar sua identidade por vontade expressa de Snowden, que acredita que não fez “nada de mau” e não tem medo do que possa lhe acontecer, apesar do julgamento do soldado Bradley Manning, fonte dos vazamentos do Wikileaks.
– Quero que o foco de atenção sejam os documentos e o debate que espero que gerem entre os cidadãos de todo o mundo sobre o tipo de mundo em que querem viver. Minha única motivação é informar o público do que fizeram em seu nome e o que se faz contra ele. A NSA construiu uma infra-estrutura que lhe permite interceptar quase tudo. Com essa capacidade, a grande maioria das comunicações humanas são automaticamente integradas no sistema de forma discricionária. Se eu quisesse ver os seus emails ou os telefonemas da sua mulher, bastava aceder a esse registo. Eu posso obter a informação relativa aos seus emails, palavras-passe, registos telefônicos, cartões de crédito – disse em entrevista publicada pelo site do jornal.
O vazamento de informação de Edward Snowden expôs a existência do programa PRISM, através do qual a NSA recolhe dados de empresas de telecomunicações como a Verizon e de gigantes tecnológicos como a Microsoft, Apple, Google e Skype e ainda de redes sociais como o Facebook. Segundo o engenheiro de TI, a população está completamente indefesa perante a sofisticação do programa.
– As pessoas não têm noção do que é possível fazer: a extensão das capacidades (da NSA) é horripilante. Nós podemos plantar escutas dentro das máquinas. Quando você acessar a rede, eu identifico a sua máquina, e você nunca mais estará a salvo, independentemente das proteções que usar. Tenho os mapas que mostram onde é que as pessoas são mais escrutinadas. (A NSA) recolhe mais comunicações digitais na América do que na Rússia – diz Snowden, que, instado a comparar o programa norte-americano com as alegações de pirataria informática pelo Exército chinês, garante que “(os EUA) pirateiam toda a gente em todo o lado. Gostamos de fazer essa distinção entre nós e os outros. Mas estamos em quase todos os países do mundo. E não estamos em guerra com esses países”.
Além de falar nas suas razões – pessoais e políticas – para divulgar publicamente os programas secretos da NSA, Edward Snowden informa por que prescindiu da proteção do anonimato e quis ter a sua identidade revelada como o responsável pela fuga de informação.
– Não tenho nenhuma intenção de esconder quem sou porque sei que não fiz nada de errado – disse.
Ainda assim, procura proteger a família e conhecidos, assegurando que ninguém tinha conhecimento das suas ações e lamentando o que, antevê, será a resposta “agressiva” das autoridades.
– O meu medo é que vão atrás da minha família, amigos, a minha namorada, qualquer pessoa que tenha alguma ligação comigo. Vou ter de viver com isso o resto da minha vida. Não vou poder me comunicar com eles – afirmou.
Sobre o seu refúgio num hotel em Hong Kong, Snowden estima que seja provisório.
– Não deixa de ser trágico que um americano tenha que se mudar para um país que tem reputação de garantir menos liberdade – nota, acrescentando que apesar de pertencer à China, Hong Kong tem “uma forte tradição de liberdade de expressão”. Mas a sua intenção é pedir asilo na Islândia, “um país com os mesmos valores que partilho”.
Quando lhe perguntam sobre o que acha que lhe vai acontecer, Edward Snowden responde simplesmente:
– Nada de bom.
Acha possível que seja emitido um mandado de captura contra si através da Interpol, e que possa terminar na cadeia, mas sublinha que sempre esteve disposto a correr esse risco.
– Ninguém pode desafiar a agência de serviços secretos mais poderosa do mundo sem aceitar esse risco. Se eles me quiserem apanhar, vão-me apanhar – acredita.
Snowden está atualmente em Hong Kong, para onde viajou em 20 de maio após deixar seu trabalho como consultor da NSA no Havaí, uma vez colhida a informação e copiados os documentos recentemente divulgados. Nesta semana, os jornais The Guardian e The Washington Postdivulgaram documentos secretos que indicam que a NSA tinha acesso secreto a gravações telefônicas e da internet de milhões de usuários nos Estados Unidos. O programa massivo de ciberespionagem dos EUA envolveria, ainda, Londres porque, segundo o jornal britânico, o centro de escutas dos serviços secretos do Reino Unido usa desde 2010 um programa secreto norte-americano, Prism, para colher informação privada dos principais servidores de internet.

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