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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Para PSB, governo usa máquina para sufocar adversários eleitorais

Política

Para PSB, governo usa máquina para sufocar adversários eleitorais

Revelado por VEJA desta semana, escândalo da espionagem no Porto de Suape provocou a reação imediata de integrantes do partido de Eduardo Campos, o alvo da mais nova ofensiva do PT

Dilma Rousseff e Eduardo Campos: Abin em ação para coletar informações que pudessem ser utilizadas contra a campanha presidencial do governador de Pernambuco
Dilma Rousseff e Eduardo Campos: Abin em ação para coletar informações que pudessem ser utilizadas contra a campanha presidencial do governador de Pernambuco (ABR/Hans Von Mante Uffel)
Após a descoberta da mais nova investida eleitoral do PT, revelada por VEJA desta semana, sobre a espionagem perpetrada por agentes do estado no Porto de Suape, em Pernambuco, o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF), afirmou que o governo lança mão de todas as armas para sufocar as movimentações que poderiam atrapalhar a reeleição de Dilma Rousseff em 2014. A reportagem mostra que quatro funcionários da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, se disfarçaram de agentes portuários para colher informações que poderiam ser utilizadas contra o governador Eduardo Campos, considerado pelos petistas uma ameaça para Dilma nas eleições de 2014.
“O grave é que isso demonstra um viés autoritário que nós não podemos admitir em um país que tem a democracia como uma grande conquista”, afirmou o senador. Rollemberg ressaltou que o governo, já preocupado com o processo eleitoral, “busca modificar regras para facilitar as coisas para o PT e dificultar e sufocar os outros”. O líder do PSB no Senado, responsável pelo mandado de segurança impetrado no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o projeto que atrapalha a criação de novos partidos, ressaltou que esse caso ainda é mais grave, já que atua “à sombra” para frear todas as movimentações eleitorais.
Na Câmara, o líder do PSB, Beto Albuquerque (RS), afirmou esperar que o governo não precise ser intimado para dar explicações sobre a espionagem no Porto de Suape. O deputado disse que vai conversar, no início desta semana, com o governador Eduardo Campos e com deputados da legenda para decidir quais serão as providências tomadas. Ele espera, porém, que o governo se antecipe nas explicações. “Temos uma denúncia grave e é preciso que haja uma explicação formal antes de uma possível convocação”, disse o parlamentar gaúcho.
“Alguém tem de ser o pai dessas quatro criaturas. Elas não estavam lá para fazer estágio ou para aprender sobre portos. E é essa explicação que tem de ser dada.” O líder do PSB reforçou que não se contentará com um posicionamento de representantes da Abin. Para ele, a resposta deverá partir do gabinete da Presidência da República.
Convocação - Ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), José Elito compareceu à Câmara dos Deputados em abril para dar explicações sobre o monitoramento dos trabalhadores portuários, caso revelado pelo jornal Estado de S. Paulo. O relatório do depoimento ainda está em fase de conclusão. O conteúdo será avaliado e pode ser utilizado como base para uma outra convocação do general. “Ele compareceu à comissão, mas, como estavam apenas deputados do governo, não valeu muita coisa. Nossa intenção é fazer novamente esse convite após esse novo episódio”, afirmou o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), membro da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência.
O deputado tucano ressaltou que a espionagem no Porto do Suape não é o único caso em que o governo utiliza-se da máquina pública para interesses próprios. “O PT não pode utilizar a Abin como uma agência de partido e não de governo. Não é o objeto dela dentro do estado. O governo tem utilizado a Caixa Econômica Federal e criado uma falsa perspectiva da economia, como a distribuição de maquinários, apenas para efeito eleitoral.”
O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), também criticou a utilização da Abin para fins partidários e eleitoreiros. “Este governo está agindo a la Gestapo. É pior do que isso. É uma polícia política de extrema direita com procedimentos às avessas de tudo aquilo que eles pregavam. A se confirmar a suspeita, fica claro que o governo está em uma busca frenética pela manutenção do poder.” 

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