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terça-feira, 11 de junho de 2013

Reinaldo Azevedo-DITADURA GAY

s e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)
11/06/2013
 às 7:38

LEIAM ABAIXO

— Passe Livre: Milhões de trabalhadores e estudantes são reféns da truculência de meia dúzia de bandidos fascistoides; entes do estado brasileiro, patrulhados por militantes da imprensa, se mostram fracos e hesitantes na manutenção da ordem;
— O tempo e o mensalão – Logo vai ter ministro do Supremo “cutucando” no Facebook, dando “like”, “dislike”;
— Comissão da Verdade – Ex-advogada de Dilma volta a defender revanchismo;
— “Mamãe, cadê a saia tubinho preta do papai?”;
— Protesto contra aumento da passagem de ônibus no Rio termina com confronto e prisões;
— Cresce avaliação negativa de Supercoxinha, mesmo com imprensa a favor;
— Apesar de intervenção do BC, dólar fecha com alta de 0,56% e atinge maior patamar desde abril de 2009;
— Segundo o Ipea, a eventual criação de novos tribunais regionais federais custará quase R$ 1 bilhão por ano e será inócua. Atenção! Há gastos que não estão contemplados aí! Ou: Os sem-toga e sem-dentes;
— Um colégio, as saias, Rousseau pelo avesso e os autoritários;
— A imprensa agora virou central de convocação de protesto. Deve ser um novo entendimento da isenção e do partidarismo;
— Banco Central faz novo leilão para tentar frear alta do dólar;
— Alckmin seria reeleito no 1º turno, aponta Datafolha, e bate Lula em São Paulo por 42% a 26%; desta vez, a Madame Mim da Filosofia ateia fogo às vestes;
— Os autoritários de saia. Colégio Bandeirantes, vítima da difamação, é condenado pelo tribunal gay em que se transformou a imprensa;
— Passe Livre??? Vagabundos, sim! E criminosos também!;
— O Supercoxinha entre o óbvio e o juízo torto. Ou: Até quando manifestantes porão em risco a vida de terceiros na Paulista?;
— Governo destina 17% do total autorizado, e obras ficam no papel;
— “Dirceu — A Biografia” e relatos de tortura e morte. Ou: Quem conta a verdade possível é a sociedade, não comissões fajutas de estado;

— Para certa imprensa, 70 mil evangélicos valem menos do que mil maconheiros
Por Reinaldo Azevedo
11/06/2013
 às 7:25

Passe Livre: Milhões de trabalhadores e estudantes são reféns da truculência de meia dúzia de bandidos fascistoides; entes do estado brasileiro, patrulhados por militantes da imprensa, se mostram fracos e hesitantes na manutenção da ordem

Milhões de trabalhadores e estudantes que querem trabalhar e estudar são hoje reféns da vontade de meia dúzia de vagabundos, que se outorgam o direito de suspender o seu direito de ir e vir, assegurado pela Constituição. Os fascitoides — alguns deles apropriadamente vestidos de negro e mascarados, como bandidos que são — impõem a sua vontade de forma truculenta, na base da força bruta, e ainda são incensados por certa imprensa e por intelectuais do miolo mole. A Polícia Militar fica praticamente de mãos atadas e só age mesmo em último caso. No Rio e em São Paulo, vimos carros da PM “acompanhando” a passeata — estavam lá, em suma, para assegurar a integridade daquela gente que lembra a SA nazista, a tropa de assalto comandada por Ernst Röhm. Ontem, até a OAB do Rio entrou em cena. Em defesa dos fascistas, é claro! Já volto a este ponto.
Esta terça promete em São Paulo. Os rebeldes sem causa — 200, 300, sei lá quantos — tentarão provocar de novo o caos na cidade sob o pretexto de protestar contra a elevação da passagem de ônibus, que passou de R$ 3 para R$ 3,20 — estudante paga meia. A Paulista deve ser um dos locais de concentração. Também estão previstas manifestações na avenida de policiais civis descontentes com o salário e de funcionários em greve do setor de saúde. Independentemente da justeza ou não de cada uma das reivindicações, uma coisa é inequívoca: é a população que paga o pato.
Todos esses que escolhem uma via central na cidade para se manifestar não fazem reivindicação, mas chantagem. E tornam o povo refém ou de seus interesses particulares ou de suas ideologias amalucadas. O sentido original das greves operárias no fim do século 19 e no século 20 era provocar um prejuízo imediato aos patrões. Respondam depressa: que prejuízo efetivo terão os entes do estado com a anarquia na Paulista e adjacências? Nenhum! O estado gere a riqueza, mas não a gera.
Um dos malditos equívocos em voga no Brasil, muito presente em setores do funcionalismo público, é precisamente este: imaginar que exista um estado gerador de riqueza. Não existe. Ao contrário: ele a consome. Pode, eventualmente, atuar como um redistribuidor por intermédio de programas sociais. Só neste ano, a Prefeitura gastará R$ 1,2 bilhão subsidiando as passagens de ônibus, que custam mais do que R$ 3,20. Os rebeldes sem causa, no entanto, não querem nem saber. E não medem consequências. Quem são esses valentes? Seriam trabalhadores? Operários? Comerciários? Não! Trata-se de militantes do Movimento Passe Livre, da Juventude do PT, do PSOL, do PSTU e do PCO. Também já se veem entre os baderneiros alguns mascarados vestidos de preto. É a versão caipira do “Block Bloc”, movimento que se autointitula anarquista e prega a depredação do patrimônio púbico e privado em manifestações.
Vejam as fotos dos protestos em São Paulo, no Rio e em qualquer lugar. Digamos que aquela gente realmente ande de ônibus — a maioria sabe que isso existe por causa de suas empregadas… Os R$ 4,40 (têm direito à meia passagem) que desembolsariam a mais por mês os impediriam de comprar seus tênis importados, suas mochilas da moda, seus jeans de grife? Quem deu a essa gente o direito de falar em nome de milhões de usuários e de paralisar a cidade com sua pantomima violenta, impedindo os motoristas dos carros e os passageiros de ônibus de chegar às suas respectivas casas no tempo esperado, com óbvios reflexos no sistema de metrô e trens? Por que 200, 300 pessoas — mil que fossem — se julgam no direito de agir dessa maneira?
O crime compensa
Eu me arriscaria a dizer que é porque vale a pena. Sempre que o crime compensa, o que se tem é ainda mais crime — além do aprimoramento das técnicas dos criminosos. Qual é a recompensa que obtém esse tipo de delinquência política? Não é financeira, pecuniária, mas, ousaria dizer, moral — ainda que uma moral torta. Esse tipo de mobilização provoca, sim, prazer, numa era em que todos são convidados, por intermédio das redes sociais, a se “mobilizar contra a opressão”, seja ela de ordem objetiva ou subjetiva.
Basta, assim, que um grupo reivindique o estatuto do oprimido para que adquira o direito de enfiar goela abaixo do outro a sua causa. Nesta segunda, vimos se repetir no Rio o mesmo padrão de violência já verificada em São Paulo. Pelo menos 30 pessoas foram detidas. E o que se viu? A seção da OAB do Rio imediatamente se mobilizou em defesa dos… presos! Correu para a órgão policial para acompanhar as diligências, para assegurar que o direito daqueles patriotas não fossem violados. Não que devessem sê-lo, é claro! O ponto é outro: pergunto-me por que a OAB não se interessa por milhões de pessoas que tiveram seus direitos violados pelos manifestantes?
A lei brasileira também é ruim para casos dessa natureza. Ainda que um bando seja preso num ato coletivo de depredação do patrimônio público ou privado ou em ações que coloquem em risco, como era o caso, a segurança de milhares de pessoas, vai-se exigir que as condutas sejam individualizadas para que se possa instaurar o devido processo penal, o que é praticamente impossível. Assim, ficam as vítimas à mercê da sanha dos furiosos. O que vale para as ruas vale, por exemplo, para as invasões patrocinadas pelo MST. Se a polícia prender um bando que tenha acabado de depredar uma fazenda ou um laboratório, será preciso dizer, detalhadamente, quem fez o quê. Trata-se, em síntese, de uma lei que protege o crime cometido em bando.
Aqui e ali, já começam a surgir as reportagens de apoio aos trogloditas, com a exposição das deficiências do sistema de transportes, a precariedade dos serviços etc. Não que isso não deva ser noticiado. Mas por que agora? Se o modelo fosse exemplar, o PSTU, o PSOL e o MPL estariam, por acaso, aplaudindo o sistema? O movimento já deixou claro que está pouco se lixando para a questão do transporte em si. Seu negócio, como confessou, é “superar o capitalismo”.
Vamos ver. Hoje, mais uma vez, há o risco de que milhões de pessoas sejam submetidas em São Paulo à ditadura de uma minoria de extremistas que decidiu libertar o povo de sua falsa consciência. De que modo? Ora, punindo-o, impedindo-o de ir e vir.
Por Reinaldo Azevedo
11/06/2013
 às 7:19

O tempo e o mensalão – Logo vai ter ministro do Supremo “cutucando” no Facebook, dando “like”, “dislike”

No país dos despropósitos, ministros do Supremo saem por aí a fazer considerações sobre questões que estão em curso na Corte como se fossem meros cronistas do cotidiano, jornalistas, analistas políticos, motoristas de táxi, as donas Marocas do supermercado. Na semana passada, Luís Roberto Barroso, já aprovado pelo Senado, concedeu uma entrevista coletiva. Chegará o dia em que veremos titulares da Corte dando pinta no Facebook, “cutucando” esse e aquele, dando “like”, “dislike”, essas coisas. Vão revelar seus pratos prediletos, dividir receita, quem sabe reivindicar o direito de usar saia. Será que ainda veremos ministros promovendo um saiaço no Supremo?
Na semana passada, Luís Roberto Barroso, já ministro, falou sobre a possibilidade da revisão da Lei da Anistia; disse que o tribunal pode, sim, votar de novo a questão e ter um novo entendimento, especulou sobre a interferência da Corte Interamericana de Direitos Humanos etc. Parecia, assim, um papo descontraído no Baixo Gávea (é assim que fala?), em que as pessoas vão fazendo considerações sobre isso e aquilo. Ali estava nada menos do que um ministro do Supremo.
Agora chegou a vez de Dias Toffoli. Em entrevista à Folha/UOL, reafirmou que não há provas contra José Dirceu — e já sabemos que ele pensa isso porque, afinal, esse foi o seu voto — e disse que o julgamento do mensalão pode levar ainda de um a dois anos para ser concluído. Vejam bem: ou um ano ou o dobro disso.
Com base em quê? Ele responde:
“Vamos ter que ter o julgamento de embargos de declaração. Quando sair o acórdão desses, virão embargos infringentes, se a corte os admitir. Esse é um tema em aberto. Do julgamento desses embargos infringentes, virão outros embargos de declaração. Então, na hipótese do Supremo admitir os embargos infringentes, teremos ainda, além desse julgamento atual de embargos de declaração, pelo menos mais dois julgamentos. É a minha análise.”
Comento
Ainda que a sequência vá mesmo ser essa, parece-me despropósito que seja um ministro do Supremo a dizê-lo. De todo modo, resolvi tomar a fala de Toffoli pelo lado virtuoso. O que quero dizer com isso? Acho que ele adverte, ainda que não tenha sido essa a intenção, para o fato de que os embargos infringentes são, além de ilegais, nefastos para a Justiça e a reputação do Supremo.
Estamos em 2013. Mais dois anos, chegaremos a 2015. O escândalo do mensalão veio a público em… 2005. A desmoralização espreita o Poder Judiciário no Brasil. O ministro Celso de Mello já demonstrou a disposição de antecipar a aposentadoria — tomara que não! Permanece na Corte, se quiser, até novembro de 2015. Em 12 de julho de 2016, quem se aposenta é Marco Aurélio. Assim, caso se consiga enrolar um pouco mais, os petistas conseguirão ver deixar o tribunal mais dois ministros que votaram pela condenação de José Dirceu. É a aposta.
Por Reinaldo Azevedo
11/06/2013
 às 7:17

Comissão da Verdade – Ex-advogada de Dilma volta a defender revanchismo

É espantoso! Não são apenas os delinquentes que protestam em nome de um tal “passe livre” a achar que nada devem às leis em particular e à ordem legal no geral. Nesta segunda, a advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha, atual coordenadora da Comissão da Verdade, participou de uma audiência pública na Comissão Estadual da Verdade de São Paulo e defendeu, mais uma vez, a revisão da Lei da Anistia. Na audiência, decidiu-se lançar uma “campanha nacional” em favor dessa causa.
O Supremo Tribunal Federal já se pronunciou a respeito e reiterou a higidez da Lei da Anistia. A lei que criou a própria Comissão da Verdade tem como pressuposto a sua vigência. A própria Emenda Constitucional nº 26, de 1985, QUE É NADA MENOS DO QUE AQUELA QUE CONVOCA A ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE, incorporou, de fato, a anistia. Está no artigo 4º:
Art. 4º É concedida anistia a todos os servidores públicos civis da Administração direta e indireta e militares, punidos por atos de exceção, institucionais ou complementares.
§ 1º É concedida, igualmente, anistia aos autores de crimes políticos ou conexos, e aos dirigentes e representantes de organizações sindicais e estudantis, bem como aos servidores civis ou empregados que hajam sido demitidos ou dispensados por motivação exclusivamente política, com base em outros diplomas legais.
§ 2º A anistia abrange os que foram punidos ou processados pelos atos imputáveis previstos no “caput” deste artigo, praticados no período compreendido entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979.
Revanchismo
Por ocasião da criação dessa comissão, observei aqui tratar-se de mera patranha. Parecia-me claro que era apenas a primeira etapa da revanche. Fui, é evidente, muito criticado por isso; acusaram-se de estar de má vontade e de ficar fazendo exercício de adivinhação. Eis aí… Eu quero que torturadores se danem. Meu desprezo por eles não poderia ser maior. Mas eu desprezo igualmente os terroristas; deploro do mesmo modo os que matam pessoas inocentes em nome de sua “causa libertadora”. A democracia brasileira não deve um centavo a nenhum deles. Aliás, a democracia que aí está não deve nada nem ao Brilhante Ustra nem à Dilma Rousseff do passado. A tese que prosperou, que vingou, que venceu não foi nem a dele nem a dela — já que nem ele nem ela queriam democracia. Ou queriam? Ora…
O STF se pronunciou de forma muito eloquente na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 153, em que a corte rejeitou o pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que a Lei da Anistia (6.683/79) fosse revista. E o que se fez ali foi declarar a vigência da Constituição. A questão está encerrada. Mas não para aqueles — ou herdeiros intelectuais daqueles — que perderam a batalha, mas insistem em aplicar a punição aos vencedores. Sim, é disso mesmo que se trata. Explico. Entre anistiados, de um lado e de outro, não há nem vencidos nem vencedores. Todos receberam o perdão. Se é para mudar a história, como querem fazer, então é preciso mudar também as categorias. É uma questão até de honestidade intelectual. E, nesse caso, convenham: quem perde não aplica a punição a quem ganha. Por isso mesmo, é preciso tirar o debate desse lodaçal teórico.
Barroso
Luís Roberto Barroso, ministro já indicado do Supremo, concedeu uma entrevista em que flertou com a ideia da revisão, embora o tribunal já tenha se posicionado a respeito. Então viveremos agora no dia da marmota, decidindo e reciclando sempre o mesmo debate.
Claro, claro! Eles querem rever a Lei da Anistia apenas para punir os “inimigos”. O perdão aos terroristas continuaria a valer.
Por Reinaldo Azevedo
11/06/2013
 às 7:15

“Mamãe, cadê a saia tubinho preta do papai?”

Escrevi dois posts sobre a ridícula história do saiaço do Colégio Bandeirantes, QUE TEM MAIS DE DOIS MIL E SETECENTOS ALUNOS. Pois bem. Leio na Folha de hoje o seguinte parágrafo:
“Vestindo saias, mais de 50 alunos e alunas protestaram ontem de manhã na frente do colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo.”
Huuummm… Deixem-me ver: “mais de 50” deve ser qualquer coisa entre 51 e 59, certo? Faço a conta pelo teto — 59 — e tomo o número de estudantes pelo piso: 2700. Isso quer dizer que, no máximo, 2,2% dos alunos aderiram ao “protesto”, ao qual, então, não aderiram 97,8%.
Mas esperem: eu não sabia que mulheres, agora, também usam saia como forma de afronta e protesto. Na nossa cultura, as saias femininas sempre me pareceram adequadas, digamos assim, à metafísica influente. Que mundo estranho, né? Fico a imaginar diálogos…
— Mãe…
— Fala, Pedro!
— Cadê aquela saia tubinho preta do papai?
— Está na lavanderia!
— Droga!
— Quer aquela minha azul?
— Mãe, você tá muito gorda. Eu uso 37, e você 42!
— É mesmo! Mamãe inveja a sua cinturinha.
Ou então:
— Que é isso, Tati?
— Isso o quê, pai?
— Essa roupa!
— Uma saia!
— Saia? Agora mulher deu pra usar saia?
— É só um protesto, pai!
— Pô, filha, que susto! Por for falar nisso, o que você achou dessa saia nova do papai?
— Bonita, mas acho que está um pouco curta…
— Deixa de ser ciumenta, Tati!
O tal saiaço só existiu na imprensa politicamente correta — ou “homonormativamente” correta — e no delírio militante. Melhor saber que o Colégio Bandeirantes continua empenhado em dar boas aulas e que a esmagadora maioria dos alunos continua empenhada em aprender.
O resto é proselitismo ridículo.
Por Reinaldo Azevedo
10/06/2013
 às 22:28

Protesto contra aumento da passagem de ônibus no Rio termina com confronto e prisões

Manifestantes e o Batalhão de Choque da PM entram em confronto em protesto contra o reajuste a tarifa de ônibus no Rio (Fábio Teixeira/Folhapress)
Leiam o que vai na VEJA.com. Na madrugada, volto ao tema.
Um protesto contra o aumento da tarifa de ônibus no Rio mobilizou aproximadamente 300 pessoas e causou tumulto no centro da cidade, na noite desta segunda-feira. O grupo se concentrou nas escadarias da Câmara Municipal, na Cinelândia, e seguiu dali pela Avenida Rio Branco, Rua Araújo Porto Alegre, Avenida Presidente Antônio Carlos, Rua Primeiro de Março e Avenida Presidente Vargas. As vias foram fechadas para a passagem dos manifestantes.
O protesto foi pacífico até que o grupo chegou à frente do Fórum. Nesse momento, alguns manifestantes começaram a destruir tapumes e a Polícia Militar interveio. Foram usadas balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Os manifestantes atiraram pedras contra os policiais e atearam fogo em cones, lixo e na bandeira brasileira.
A confusão assustou comerciantes, que fecharam as portas de seus estabelecimentos, e pedestres que caminhavam pela região. Cerca de 30 pessoas foram detidas para prestar esclarecimentos — um foi levado para a 4ª DP e todos os outros foram encaminhados para a 5ª DP. A tarifa dos ônibus municipais do Rio passou de 2,75 para 2,95 reais no dia 1º de junho.
Por Reinaldo Azevedo
10/06/2013
 às 18:31

Cresce avaliação negativa de Supercoxinha, mesmo com imprensa a favor

Alguns leitores me perguntam por que não comentei a avaliação da gestão Fernando Haddad, medida pelo Datafolha. Porque, por enquanto, isso não tem muita importância. Mas posso fazê-lo, chamando a atenção para um detalhe associado ao crescimento da avaliação negativa.
Segundo informa a Folha, a avaliação negativa (ruim ou péssima) subiu de 14% em abril para 21% em junho. Os que, por outro lado, acham a gestão boa ou ótima também cresceram, mas menos: de 31% para 34%. A Folha destaca que é o prefeito mais bem avaliado a esta altura do mandato desde 1986, com a volta das eleições diretas para as capitais. Huuummm. Em segundo, estaria José Serra, que chegou a 30%. Como a margem de erro é dois pontos percentuais para mais ou para  menos, tanto o tucano como o petista podem ter alcançado 32% — empate. A pesquisa também registra que cresceu de 49% para 58% os que avaliam que a gestão petista está fazendo menos do que se esperava.
O dado relevante
O dado relevante desses números, na minha opinião, não está na pesquisa, mas fora dela. Desde a volta das eleições diretas, não se tem um prefeito tão incensado pela imprensa, o que me levou a apelidá-lo de “Supercoxinha”.
Se vocês querem um comprovação fática do que estou a escrever, comparem o texto que a Folha publica sobre Haddad (link acima) com o que trata daavaliação de Geraldo Alckmin, que é aprovado por 52% dos paulistas — 18 pontos acima da avaliação positiva conquistada por Haddad.
Aspectos considerados positivos da gestão prefeito são destacados. Há um certa sublinha a sugerir que a avaliação pode ser um tantinho injusta. Alckmin, muito mais bem avaliado, não tem colher de chá. Ao contrário: a edição sugere que ele pode enfrentar problemas na área de segurança pública. Não se consegue ter uma miserável pista de por que 52% o consideram bom ou ótimo, mas se explica direitinho por que 34% aprovam Haddad, sugerindo que isso pode ser pouco…
Por Reinaldo Azevedo
10/06/2013
 às 17:55

Apesar de intervenção do BC, dólar fecha com alta de 0,56% e atinge maior patamar desde abril de 2009

Na VEJA.com:
O dólar voltou a fechar em alta ante o real nesta segunda-feira, apesar de o governo ter anunciado recentemente medidas para atrair capital externo e das atuações do Banco Central (BC) no mercado de câmbio nesta segunda-feira. Pouco depois do meio-dia, a moeda norte-americana alcançou 2,16 reais, intensificando as preocupações com a inflação. A situação fez o BC anunciar, em sequência, dois leilões de venda de dólares no mercado futuro. Com as operações, a autoridade monetária conseguiu segurar o avanço da moeda americana, mas apenas momentaneamente. No fim do dia, o dólar à vista fechou com elevação de 0,56%, cotado a 2,1480 reais. Esse é o maior patamar desde 30 de abril de 2009, quando a moeda encerrou em 2,1880 reais. No ano, a divisa dos EUA acumula alta de 5,04% ante o real.
Na máxima, verificada às 12h04, o dólar atingiu alta de 1,12% e era cotado a 2,16 reais no balcão. Na mínima, após os dois leilões do BC, a moeda norte-americana atingiu 2,1340 reais, em leve queda de 0,09%. Pela manhã, o dólar apontava forte alta ante o real, após o anúncio da aceleração da inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) na primeira prévia de junho (0,43%, ante 0,03% da primeira prévia de maio) e da divulgação de indicadores fracos de importação e exportação na China. As preocupações com a inflação e com a economia chinesa – forte compradora de commodities – reforçaram a percepção de que a economia brasileira vai mal. Profissionais lembraram que, na semana passada, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) já havia reduzido a perspectiva de rating do Brasil e de várias empresas do país.
Ao mesmo tempo, as medidas do governo – entre elas, de zerar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos de estrangeiros em renda fixa – ainda não elevaram a entrada de dólares no país. Ao contrário, profissionais citaram, na semana passada, que investidores em renda fixa estavam aproveitando a mudança para retirar recursos para, no futuro, voltar sem precisar pagar impostos. ”Potencialmente para o Brasil, a gente esperava que a redução do IOF gerasse um impacto maior (de entrada de dólares), porque você tem, aliado à isenção de imposto, a alta da Selic”, comentou Fernando Bergallo, gerente de câmbio da TOV Corretora. “Mas parece que o investidor não está muito confiante, ainda mais que teve a redução da perspectiva de rating do Brasil.”
João Paulo de Garcia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora, acrescentou que “o BC mostrou que não quer um dólar acima de 2,15 reais, porque nós temos um problema sério, que é a inflação. Ele fez dois leilões hoje por conta disso, mas a desconfiança em relação ao país faz a alta do dólar persistir.” No exterior, a trajetória de alta do dólar também foi vista depois de a S&P ter anunciado revisão da perspectiva do rating AA+ dos EUA de negativa para estável. Com isso, o dólar ganhar força na comparação com outras moedas.
Por Reinaldo Azevedo
10/06/2013
 às 17:48

Segundo o Ipea, a eventual criação de novos tribunais regionais federais custará quase R$ 1 bilhão por ano e será inócua. Atenção! Há gastos que não estão contemplados aí! Ou: Os sem-toga e sem-dentes

Leiam o que informa Marcela Mattos, na VEJA.com. Volto em seguida.
Um estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que os quatro novos tribunais regionais federais que serão criados no país terão custo de 922 milhões de reais por ano aos cofres públicos, sem que o investimento melhore a produtividade da Justiça brasileira. A criação dos novos TRFs – Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Curitiba (PR) e Manaus (AM) – foi promulgada pelo Congresso Nacional na última quinta-feira.
“O custo estimado teria representado, em 2011, uma elevação de quase 60% nas despesas orçamentárias globais da segunda instância da Justiça Federal”, diz o documento do Ipea, órgão vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Além de custar caro, o órgão afirma que a medida “não eleva a produtividade dos magistrados e nem proporciona maior acesso à Justiça”.
De acordo com o Ipea, a promessa de que os novos tribunais vão desafogar a Justiça e aproximá-la da sociedade não será cumprida. O texto prevê o desmembramento dos tribunais de forma a diluir a carga de trabalho entre eles. Porém, o instituto aponta que o intercâmbio entre os órgãos não é a melhor solução.
“Se os novos tribunais fossem capazes de adotar melhores práticas e elevar a produtividade, por que os tribunais que lhe deram origem também não o seriam?”, questiona o Ipea. “Em suma, o que a PEC [Proposta de Emenda à Constituição] faz é reproduzir ou multiplicar a ineficiência através da criação de novos órgãos, embora seus defensores invoquem o princípio teórico, porém pouco atraente, de que um novo tribunal seria mais eficiente que aquele que lhe deu origem”, continua.
“Antes de reproduzir ineficiência, ou fazer mais do mesmo a custos elevados, seria essencial diagnosticar causas das disparidades de eficiência entre tribunais, visando reformas na administração judicial que reduzissem o ‘fosso’ entre diferentes tribunais”, diz o texto.
O alto custo dos novos tribunais também foi criticado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Durante reunião com representantes de associações de juízes, em abril, Barbosa classificou a medida como “sorrateira” e afirmou que ela atenderia apenas ao interesse de alguns.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) vai elaborar um estudo para determinar o valor dos tribunais e qual será o contingente de profissionais necessário para a instalação. O projeto deve ser enviado ao Congresso Nacional para análise dos parlamentares até agosto.
Voltei
Já demonstrei por A + B que a criação dos novos tribunais regionais federais é inconstitucional. Esse troço vai acabar no Supremo. Aí vamos ver.
O estudo do IPEA, segundo entendi, leva em conta as despesas orçamentárias com base, suponho, nos dados hoje disponíveis sobre os tribunais já existentes. Mas não inclui — porque isso não é verba orçamentária — o custo para a criação dos quatro novos tribunais.
Será preciso encontrar e comprar o terreno, construir o prédio, dotá-la da infraestrutura necessária — móveis e utensílios, informatização, carros, as garrafas térmicas do cafezinho… A despesa, obviamente, vai muito além disso.
E pra quê? Para acelerar a Justiça? Não há um só argumento racional que consiga evidenciar isso. A criação desses tribunais, lamento ter de escrevê-lo, é só uma patuscada corporativa que hoje está a juntar alguns juízes, setores do Ministério Publico e advogados. Ocorre que essa brincadeira custa caro aos desdentados e destogados.
Por Reinaldo Azevedo
10/06/2013
 às 16:54

Um colégio, as saias, Rousseau pelo avesso e os autoritários

Ah, houve uma verdadeira invasão de “ai-ai-ais e ui-ui-uis” por causa do que escrevi sobre o chamado saiaço do Colégio Bandeirantes. A maioria que se manifestou no post apoia o que escrevi, mas há alguns indignados que se dizem alunos da escola e que deploram o meu suposto “conservadorismo” nessa questão, atribuindo, de resto, erroneamente, à VEJA opiniões que são minhas. De novo e pela enésima vez: sou o único responsável pela opiniões que emito aqui, sobre qualquer assunto: comida japonesa; Bolero de Ravel; a luta do “ser contra o não ser universal/ arcano impossível de ler”; Paulo, o Apóstolo; aborto; a melhor forma de comer biscoito recheado (se separando as duas partes ou não); pernas peludas de saia… Escolham aí. Assim, quando alguém quiser protestar contra algo publicado aqui, quem tem de ser invocado é o dono da opinião: eu mesmo. Quanto à coisa em si, vamos lá.
Eu, sim, escrevi um texto em defesa do Colégio Bandeirantes, ressaltando que nunca estive lá, que não conheço a direção da escola ou detalhes da rotina da instituição. Mas sei reconhecer quando alguém ou alguma instituição está sendo alvo de uma patrulha autoritária, como é o caso. Se notarem, no post que escrevi a respeito, não citei nomes de alunos, de professores, de diretores. Na verdade, lamento a espetacularização e a escandalização do nada que esse episódio revela. O que não passa de uma questão interna, de menor importância, ganhou repercussão porque, é evidente, estudantes apelaram às redes sociais — com o auxílio de alguns pais meio amostrados, parece-me — e acabaram criando um constrangimento para direção da escola.
Ressalvei, logo de cara, em meu primeiro texto, que o caso da saia não estava necessariamente ligado à sexualidade dos dois pivôs do episódio, que se declaram heterossexuais. A condição de cada um, nesse caso, é irrelevante. A patrulha que engolfou a escola, no entanto, é, sim, parte do patrulhismo gay, que vai assumindo tinturas a cada dia mais autoritárias.
Todas as reportagens que li sobre a reação da escola indicam que a direção expressou, sim, a sua inconformidade com as tais saias, mas não houve qualquer reação que pudesse ser tipificada como autoritária. Apenas se lembrou que a escola tem hábitos, costumes, valores, padrões, coisas que, em suma, constituem a sua cultura média — são, como chamei, as questões consuetudinárias. Nem tudo o que nos é permitido está estabelecido em leis, regimentos, normas. Nem tudo o que nos é vedado está igualmente proibido nesses mesmos textos. A vida em sociedade só é possível porque estabelecemos também pactos não escritos de convivência.
Alguns dos que se manifestaram contra o meu texto dizendo-se alunos ou ex-alunos do Bandeirantes — pouco me importa se são ou não — argumentam que a escola faz praça de seu, digamos, “liberalismo” no que concerne à indumentária. Logo, indagam, se é assim, por que não, então, a saia? Ora, por esse caminho, a gente poderia indagar: por que não assistir às aulas só de cueca e calcinha no verão — assentando-se, é evidente, por princípio, que rapazes e moças escolherão livremente uma peça ou outra para não caracterizar “patrulha de gênero”… Percebam o raciocínio perigoso subjacente: o Bandeirantes, nesse caso, estaria sendo punido, então, por ter ampliado o espaço das escolhas no que concerne à indumentária. Fosse mais restritivo, impusesse um uniforme (e escreverei a respeito), não teria enfrentado o “protesto”.
QUE FIQUE CLARO!
Gente muito ocupada em “militar” não tem tempo de ler direito os textos que lhe caem às mãos. No post que escrevi, não dirigi uma só crítica aos estudantes do Bandeirantes. Em certa medida, são também vítimas da patrulha politicamente correta. As minhas restrições se dirigiram todas à cobertura feita pela imprensa. E acusei também a “patrulha gay” organizada, especialmente nas redações, de submeter a escola a uma espécie de corredor polonês.
Dois trechos de uma carta atribuída a alunos, que circula por aí, chamaram a minha atenção. O primeiro é este.
“Heteronormatividade” é linguagem militante, além de ser um cretinismo. Sugere a ideia estúpida de que os padrões determinados pela heterossexualidade são baseados em alguma arbitrariedade socialmente definida. E, como sabe a humanidade, isso não é verdade. Como se estima que mais de 90% das pessoas sejam heterossexuais, especioso seria se a) isso não gerasse norma nenhuma, ainda que não legal; b) a norma fosse ditada pela minoria. Assim, não existe uma “heternormatividade”, mas uma “heterorrealidade”, uma “heteromaioria”. Assegurar os direitos da minoria, numa democracia, é coisa distinta de instituir uma ditadura de minoria. E notem que só toco nesse assunto porque consta lá da carta.
O segundo trecho é este.
Bem, não sei que diabos se disse sobre Rousseau aos alunos ou que diabo eles julgam ter aprendido. Mas a coisa está absolutamente desfocada. Se aplicadas, as ideias de Rousseau, elas sim — E NÃO A DIREÇÃO DO COLÉGIO BANDEIRANTES —, teriam banido da escola os alunos de saia, pretextando o triunfo da vontade geral sobre as vontades individuais. Quem quer que tenha orientado essa carta — ou que tenha se julgado instruído o bastante sobre Rousseau para fazê-lo — não sabe direito o alcance do pensamento que está sendo usado para endossar o protesto. O Bandeirantes deveria trabalhar com a hipótese de que enfrenta uma espécie de surda patrulha interna. Se procurar, vai achar.
Uniforme
Não conheço as peças publicitárias do Bandeirantes — logo, não sei se é verdade que a escola faz praça do fato de não exigir uniforme. As escolas particulares que o repudiam — falo de modo geral — cometem, a meu ver, um erro maior do que supõem. Há desdobramentos bastante deletérios decorrentes dessa decisão, a saber: a) formação ostensiva de “tribos” dentro da escola, com base em valores que nada têm a ver com a instituição; b) ditadura da moda (ou desfile de moda) no ambiente escolar, o que também não remete a questões de ordem intelectual; c) fetichização da individualidade, de sorte que se confunde o gosto pelo choque com a expressão de uma visão particular e eventualmente superior de mundo.
Excelentes escolas mundo afora adotam o uniforme. Longe de ser um fator de repressão, ele pode ser, isto sim, um exercício de liberdade, uma vez que não obriga os jovens — NUMA IDADE EM QUE PERTENCER A ALGUMA COISA OU A ALGUM GRUPO É IMPORTANTE — a escolher um estereótipo. Até porque, entendo, a escola deve se dedicar a duas tarefas básicas: a) ministrar da melhor maneira o conteúdo objetivo a ser ensinado; b) oferecer aos alunos as condições para que busquem autonomia intelectual. E A AUTONOMIA CAMINHA NO SENTIDO CONTRÁRIO AO DA FORMAÇÃO DE TRIBOS.
Podem chiar à vontade. Não dou a mínima. Escrevi, porque quis, um texto em defesa de uma instituição chamada “Colégio Bandeirantes”. Ademais, segundo as fotos que vi, só uma minoria de rapazes aderiu à saia no tal “protesto”. O que vi foi muita menina exibindo a veste. Por que uma mulher de saia longa é vista, hoje em dia, como um espécie de afronta e de afirmação de identidade, eis mais um dos mistérios do nosso tempo…
Por Reinaldo Azevedo
10/06/2013
 às 15:34

A imprensa agora virou central de convocação de protesto. Deve ser um novo entendimento da isenção e do partidarismo

Marque qualquer porcaria no Facebook. Invente aí: protesto contra uma escola que desestimule o uso de saia por gente de perna peluda, protesto contra o papa, contra o estatuto do nascituro, contra a Lei da Gravidade… Se estiver adequada à pauta dos militantes alojados nas redações, ganhará divulgação e receberá a chancela de “coisa séria”. Por que isso? Leio na homepage do Estadão o seguinte título: “Protesto contra o Estatuto do Nascituro em SP é organizado nas redes sociais”. Pensei: “Pô, mas já aconteceu um protesto?” Não, é claro! Fui ler o texto. Prestem atenção:
Aprovado na quarta-feira, 5, na Comissão de Finanças da Câmara, o projeto que visa a instituir o Estatuto do Nascituro – que dá direitos ao embrião e cria incentivos com o objetivo de evitar abortos mesmo em casos que hoje são autorizados – vem sofrendo oposição nas redes sociais. Pelo Facebook, cerca de 10 mil pessoas confirmaram até a manhã desta segunda-feira, 10, presença em um protesto que será feito no sábado, 15, às 13h, na Praça da Sé, em São Paulo. De acordo com o projeto, nascituro é o ser humano concebido, mas ainda não nascido. O Ato Contra o Estatuto do Nascituro será pacífico e terá distribuição de panfletos e falas de militantes feministas engajadas na luta pela legalização do aborto, segundo as organizadoras, que administram a página “O machismo nosso de cada dia” no Facebook.
(…)
Voltei
Bem, em primeiro lugar, folgo em saber que o ato será pacífico. Que bom! Gente fanática por perseguir fetos, que não podem correr nem reagir, prometem ser pacíficas com os que podem porque tiveram, ao menos, o direito ao nascimento. 
Em segundo lugar, noto que o “ato” ainda está na fase da “convocação”. Se alguém estivesse planejamento um em favor do estatuto e contra o aborto, é certo que não seria notícia. Aliás, na quarta-feira, 70 mil pessoas se manifestaram contra o aborto em Brasília — era um dos itens da pauta dos evangélicos. A imprensa escondeu o protesto.
Há só uma coisa positiva em tudo isso. A verdade veio à tona. Escrevi alguns posts demonstrando que os protestos contra o Estatuto do Nascituro nada tinham a ver com a possibilidade de auxílio às mulheres que, mesmo tendo engravidado numa relação não consensual, decorrente do estupro, se neguem a abortar. Isso tudo era falso pretexto. Os que rejeitam o Estatuto são mesmo é militantes em favor do aborto. A reportagem do Estadão ao menos evidencia isso, não é? Podem aguardar: reúna 500 pessoas ou 500 mil, a cobertura jornalística para o evento já está assegurada. Já os 70 mil de Brasília dizendo “não” em coro ao aborto — e pedindo cadeia para os mensaleiros, não custa lembrar — foram eliminados do mundo dos fatos por certa imprensa.
É o chamado jornalismo isento e apartidário — desde que as pessoas estejam “do lado certo”, entenderam?
Por Reinaldo Azevedo
10/06/2013
 às 14:49

Banco Central faz novo leilão para tentar frear alta do dólar

Na VEJA.com:
Nesta segunda-feira, o Banco Central precisou atual novamente para frear a alta do dólar. O BC vendeu mais 21,5 mil contratos de swap cambial com dois vencimentos em leilão realizado no início da tarde. Foram 11,5 mil contratos com vencimento em 01/07/2013 e 11 mil com prazo final em 01/08/2013. O swap cambial é uma operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro e é usado como instrumento para moderar a disparada da moeda americana.
No caso dos papéis que vencem em julho, a operação equivale a 571,5 milhões de dólares e nos de agosto, a 546 milhões de dólares, atingindo um total de aproximadamente de 1,118 bilhão de dólares. Esta é a quarta vez que o BC entra no mercado desde o dia 31 de maio. Nas duas primeiras intervenções, a autoridade monetária vendeu 2,252 bilhões de dólares em leilões de swap cambial.
A intenção do BC é impedir a disparada da moeda americana, que está com tendência de alta na maior parte dos mercados, devido à mudança da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e à melhora da perspectiva de rating dos Estados Unidos, anunciada na manhã desta segunda pela Standard & Poor’s. A busca por dólares no mercado internacional fez com que a moeda americana alcançasse a máxima de 2,153 reais às 14 horas (horário de Brasília), em alta de 0,53%.
Por Reinaldo Azevedo
10/06/2013
 às 7:25

LEIAM ABAIXO

— Alckmin seria reeleito no 1º turno, aponta Datafolha, e bate Lula em São Paulo por 42% a 26%; desta vez, a Madame Mim da Filosofia ateia fogo às vestes;
— Os autoritários de saia. Colégio Bandeirantes, vítima da difamação, é condenado pelo tribunal gay em que se transformou a imprensa;
— Passe Livre??? Vagabundos, sim! E criminosos também!;
— O Supercoxinha entre o óbvio e o juízo torto. Ou: Até quando manifestantes porão em risco a vida de terceiros na Paulista?;
— Governo destina 17% do total autorizado, e obras ficam no papel;
— “Dirceu — A Biografia” e relatos de tortura e morte. Ou: Quem conta a verdade possível é a sociedade, não comissões fajutas de estado;

— Para certa imprensa, 70 mil evangélicos valem menos do que mil maconheiros;
— Desmoralizado na questão indígena, o pré-candidato Cardozo ganha uma manchete para atacar… Alckmin e dizer que não é pré-candidato…;
— Popularidade de Dilma segue alta, mas cai 8 pontos; em algumas categorias, essa queda chega a 24 pontos;
— Justiça abre processo contra José Dirceu para devolução do dinheiro desviado no mensalão;
— Terra de índio? A política indigenista brasileira virou terra de ninguém;
— Petistas davam apoio aos delinquentes que estão nas ruas, depredando o patrimônio público. Cadê o Supercoxinha?;
— Jaques Wagner decide financiar um museu em homenagem a um homicida que defendia o terrorismo e execuções sumárias;
— Aliados involuntários – Nas redes sociais, bandoleiros que infernizam São Paulo comemoram a cobertura feita pela TV;
— Novo ministro do STF não só concede entrevista coletiva como especula sobre a revisão da Lei da Anistia;
— Passe Livre? Lugar de delinquente é na cadeia ou na Fundação Casa;
— O escândalo da refinaria de Pasadena – Ministério Público investigará Petrobras por evasão de divisas e peculato;
— Cai a presidente da Funai, mas problema continua. E o nome do problema é Gilberto Carvalho;
— A mentira grotesca no texto de uma “antropóloga” da UnB. Como ela vai encarar depois seus alunos? Ou: Deve ser triste depender de uma mentira para parecer inteligente
Por Reinaldo Azevedo
10/06/2013
 às 7:17

Alckmin seria reeleito no 1º turno, aponta Datafolha, e bate Lula em São Paulo por 42% a 26%; desta vez, a Madame Mim da Filosofia ateia fogo às vestes

Segurem a Marilena Chaui, que ela vai ter um troço. Corre o risco de atear fogo à próprias vestes. Ou, pior, vai se meter com aqueles bandoleiros do dito Movimento Passe Livre e sair por aí pondo fogo da cidade. Por quê? Segundo pesquisa Datafolha publicada nesta segunda-feira pela Folha, o governador Geraldo Alckmin (SP) seria reeleito governador de São Paulo e bateria o próprio Luz Inácio Lula da Silva por larga margem: 42% a 26%. Quando aparecem outros nomes do petismo, Alckmin se elege no primeiro turno, oscilando de 50% a 52%. Depois do Babalorixá, o petista mais bem colocado é Aloizio Mercadante (11%), atual ministro da Educação, que já disse que não disputará. José Eduardo Cardozo, titular da Justiça, o preferido da presidente na disputa estadual (deve querer se livrar dele), mas rechaçado pelo Apedeuta, aparece com 5%; Alexandre Padilha, ministro da Saúde, tem apenhas 3%.
É claro que ainda falta muito tempo para a eleição, mas o resultado em São Paulo não é nada animador para os petistas. Quem aparece em segundo lugar na disputa é o neopeemedebista e ex-socilista (!?) Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Seus percentuais variam de 13% a 16%, reflexo certamente do evidente uso que ele faz da máquina da entidade para se promover. Nunca se viu nada igual em matéria de personalismo e de uso da federação para o marketing pessoal. Quem também aparece à frente dos petistas é o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), que não esconde a disposição de se candidatar: ele teria, se a eleição fosse hoje, entre 6% e 9%.
Aprovam a administração Alckmin 52% dos paulistas; consideram-na ruim ou péssima apenas 15%; 31% dizem que é regular. São números bastante apreciáveis. A aprovação no interior (60%) é bem maior do que na capital (42%). A campanha está longe, mas o resultado vai provocar desconforto no PT. Afinal, o esforço do partido para tentar desconstituir a imagem de Alckmin tem sido gigantesco. E, como vimos na entrevista de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, vale tudo.
É hoje que Dona Doida sai pelas ruas gritando contra as “elites reacionárias” de São Paulo…
Por Reinaldo Azevedo
10/06/2013
 às 7:15

Os autoritários de saia. Colégio Bandeirantes, vítima da difamação, é condenado pelo tribunal gay em que se transformou a imprensa

Um aluno do Colégio Bandeirantes, em São Paulo, apareceu em sala trajando roupa de mulher. Não é gay, diz ele, mas parece que aproveitou para tirar uma onda por causa de uma festa junina. Desentendeu-se com um professor. Um colega, em solidariedade, foi à escola de saia no dia seguinte. A direção do estabelecimento o teria convidado a voltar para a casa. Que importância tem isso em si? Inferior a zero! O que isso tem a ver com educação? Nada! O que tem a ver com cidadania? Nada também! Não para a imprensa, que se transformou numa espécie de tribunal gay. Aí, consta, outros rapazes marcaram para esta segunda um “saiaço”. E o caso ganha ampla repercussão na imprensa — certamente vai parar nas rádios e tomará as redes sociais.
O tom persecutório das reportagens impressiona. Diretores da escola são constrangidos a se explicar, acusados, acreditem!, de “discriminação de gênero”. Os que se negam a falar são tratados como fujões, como pulhas. Considera-se um absurdo, uma verdadeira violação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que a instituição não veja com bons olhos rapazes que se vestem de mulher. Nomes de professores e diretores são lançados ao vento, expostos à demonização.
O Bandeirantes é um dos mais tradicionais colégios de São Paulo, conhecido pela excelência naquela que é sua tarefa principal: educar. Não há, é certo, na Constituição nada que impeça um rapaz de usar uma saia. Mas as instituições têm uma história, uma tradição, que se transformam em regras de convivência, que se tornam, em suma, um decoro. Quando pais escolhem uma escola para seus filhos, escolhem também um conjunto de valores que, acreditam, aquela instituição encarna. Há certamente estabelecimentos em que a ausência de qualquer padrão se afigura um bom padrão. Até onde sei, não é o caso do Bandeirantes. Noto, pelas reportagens, que os diretores estão um tanto surpresos e acuados. Deixam claro que não houve nenhuma punição aos alunos. Aos repórteres, não basta! Exigem um mea-culpa.
“Especialistas” são convidados a fazer digressões sobre essa bobagem que é haver distinção entre vestimenta masculina e feminina. No Estadão, opina sobre o fato ocorrido no Bandeirantes até uma um rapaz que é apontado como especializado em “saias para homem”. Qualquer pessoa razoável — e, infelizmente, jornalistas são a cada diz menos razoáveis — sabe que a base da educação eficiente é a norma. As transgressões e ultrapassagens virtuosas têm de ser motivadas. Um bom caminho da desordem e da anomia é ignorar os fundamentos, digamos, consuetudinários da convivência. Imaginemo-nos cada um de nós com uma coleção de códigos legais debaixo do braço até para dizer “Bom dia!”.
Essa história do Bandeirantes é espantosa. O pior é que os militantes — não estou me referindo aos alunos, que nem sabem direito o que estão fazendo; embarcam na onda em tempos de redes sociais — certamente se querem os libertários. Não são, não! Os diretores do Bandeirantes e ao menos um professor estão sendo vítimas de uma patrulha fascistoide.
E olhem que o tal PLC 122 não foi aprovado. Consta que um professor teria dito ao primeiro aluno que aquela roupa não era coisa de festa junina, mas de parada gay. O diretor-geral teria convidado o outro a voltar para casa por causa da saia… O texto de Marta Suplicy estabelece no Artigo 5º:
Art. 5º Recusar ou impedir o acesso de alguém a estabelecimento comercial de qualquer natureza ou negar-lhe atendimento, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.
Que tal? Parece que os alunos em questão não são gays, mas, sabem como é, naquele dia, eles resolveram assumir outra “identidade de gênero”…
A direção do Bandeirantes, surpreendida por essa patuscada infeliz, parece estar meio intimidada, na defensiva, desacostumada a lidar com esse tipo de coisa. Espero que retome o pulso e lembre aos pais e aos estudantes quais são os fundamentos da escola, destacando, ademais, que os descontentes são livres para escolher o caminho que os faz felizes. Tempos sombrios.
Por Reinaldo Azevedo
10/06/2013
 às 7:05

Passe Livre??? Vagabundos, sim! E criminosos também!

Classifiquei aqui de “vagabundos” aqueles trogloditas que saíram pela cidade de São Paulo (e de algumas outras capitais) botando o terror nas ruas: depredaram uma estação de metrô e estabelecimentos comerciais, ameaçaram pessoas, provocaram pequenos incêndios… Um grupo de não mais do que 500 pessoas, reduzidas depois a um quinto disso, infernizou a vida de milhões de trabalhadores que tentavam voltar para suas respectivas casas, depois de um longo dia de trabalho. Vagabundos, sim! Se a Polícia tivesse decidido deter a canalha, iria verificar o óbvio: a maioria só estuda, não trabalha e, ATENÇÃO!, nem mesmo é usuária de transporte público. Mas atenção! Ainda que todos fossem, essa gente não tem o direito de recorrer a esses métodos para reivindicar o que quer que seja. Assim, ao adjetivo “vagabundos”, acrescento outro: “criminosos”. Aquelas manifestações incidiram em vários artigos do Código Penal. Criminosos e, infelizmente, impunes. Alguns, já disse, mereciam cadeia; outro, em razão da idade, a Fundação Casa.
Não! Eu não chamo de “vagabundo” qualquer indivíduo que decida se mobilizar por uma causa. Ao contrário: considero que a mobilização é uma das fontes de oxigênio do regime democrático. Mas a democracia também nos faculta avaliar as causas em trânsito e saber, afinal de contas, quem está na praça. Os organizadores desse protesto se dizem membros de um tal “Movimento Passe Livre”, que trabalhava em parceria com o PT até outro dia. A turma se quer de esquerda, com um pé no anarquismo, e diz que pretende usar a “luta” do transporte público para “superar o capitalismo”. A essa gente se juntam militantes do PCO, do PSTU e do PSOL. Até o ano passado, os petistas também engrossavam suas fileiras.
No Estadão de ontem, Bruno Paes Manso fez uma reportagem  mais do que simpática à “causa”. Sim, leitor, estes são os tempos em que o Estadão (!!!) publica um texto que flerta abertamente com depredadores do patrimônio público. Um dos líderes da bagunça é entrevistado. Ele se identifica como “Marcelo”, tem 19 anos e supostamente estuda Filosofia da USP. Diz o pensador:
“A gente tem bons contatos na Prefeitura. O PT Jovem nos apoiava nos protestos em 2011, assim como vereadores que eram de oposição e hoje viraram governo. Mas não queremos sentar para negociar. A campanha do prefeito (Fernando Haddad) foi financiada por empresas de transportes. Foi assim (nas ruas) que conseguimos diminuir tarifas em Porto Alegre, Florianópolis e Teresina”
É isto mesmo: ele participa de um movimento que sai por aí botando pra quebrar, que paralisa a cidade, mas vai avisando: nada de sentar para negociar! Notem bem: não haveria mesmo o que negociar com ele, que não representa ninguém. Ainda que houvesse, o radical da catraca não quer conversa. Na sociedade que ele tem em mente, os que reivindicam se impõem na base da violência. E ponto. A reportagem do Estadão informa, em tom ameno, que o modelo de mobilização da turma é… Carlos Marighella! Sim, o terrorista.
Emprestando ao banditismo explícito a condição de categoria de pensamento, Manso decidiu ouvir uma “especialista”. Monika Dowbor, identificada como “cientista política” do Centro de Análise e Planejamento (Cebrap), compara a estratégia adotada pela turma do Passe Livre — ATENÇÃO!!! — com a dos movimentos em favor dos direitos civis nos EUA, nos anos 1960. E a mulher delira: “Na época, as lideranças escolheram as cidades mais violentas e racistas para protestar para que houvesse reação e seus militantes saíssem como heróis”.
Protesto contra o reajuste de 20 centavos na passagem de ônibus se compara a movimentos em favor dos direitos civis? Então estamos diante de uma causa tão abrangente quanto o racismo, o feminismo e a guerra? Deus nos acuda! Chegará o dia em que ainda teremos de dar graças a Deus por existir o PMDB, uma das forças que impedem o Brasil de cair nas garras de alguns de seus… intelectuais!
Direitos civis??? A passagem de ônibus em São Paulo já é uma das mais subsidiadas do mundo — o setor como um todo, como se sabe, é altamente dependente do dinheiro público. A tarifa social de transporte, é bom que fique claro, já existe. É evidente que o conjunto dos brasileiros paga a conta, inclusive da indecorosa, indecente e injustificada meia-passagem para estudante. Isso tudo sai dos impostos, que, por sua vez, saem do bolso dos trabalhadores. SÓ NESTE ANO, O SUBSÍDIO ÀS PASSAGENS CUSTARÁ  R$ 1,2 bilhão!!!
Essa gente que se dá o direito de parar a cidade tem de mostrar a cara. Que venha a público demonstrar que sua penúria é tal que não pode arcar com o custo adicional de R$ 4,40 ao mês. Trata-se de um bando de vigaristas, brincado de promover a anarquia porque sabem que o cretinismo que toma conta do debate público lhes é favorável. Não custa lembrar que, em 2011, o tal Movimento Passe Livre virou o queridinho da imprensa paulistana — até porque tinha o apoio do PT. Neste ano, a adesão é um pouco menor, mas a simpatia pelos delinquentes ainda é evidente.
Por Reinaldo Azevedo
10/06/2013
 às 6:59

O Supercoxinha entre o óbvio e o juízo torto. Ou: Até quando manifestantes porão em risco a vida de terceiros na Paulista?

O Supercoxinha estava mudo desde que elevou a tarifa de ônibus. Anteontem à noite, deu uma declaração à Folha, que está no jornal de hoje. Leiam:
“A Polícia Militar tem que seguir protocolos e um deles é manter vias expressas desimpedidas. [Do contrário] isso coloca pessoas que estão circulando em risco”, afirmou à Folha anteontem, antes de embarcar para Paris, onde defenderá a candidatura da cidade à Expo 2020. A [região da] Paulista tem hospitais que atendem boa parte da população. Se estiver obstruída, haverá risco. Se amanhã alguém morre numa ambulância, vão dizer que a PM não agiu conforme o protocolo”.
Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, defende, assim, a ação da Polícia Militar para desobstruir as vias públicas. Ah, bom! Atenção para uma resposta dada pelo prefeito, a revelar também um padrão moral. Indagado sobre o apoio que seu partido emprestou no passado ao movimento, o preclaro negou a existência de qualquer contradição e afirmou: “No passado, o estopim do protesto foram reajustes acima da inflação”.
Ah, bom! Entendi! Se um determinado reajuste se dá acima da inflação, então é lícito sair por aí ocupando vias públicas e botando pra quebrar; se o reajuste fica abaixo, aí não! Tentar entender a moral de um petista não é nem fácil nem difícil; é apenas inútil em razão da ausência de objeto.
Treze hospitais
O prefeito toca numa questão que já abordei aqui dezenas de vezes — e ele poderia tomar providências, em vez de se comportar como mero cronista da cidade. A região da Paulista concentra TREZE HOSPITAIS, nada menos. Se está tomada por ciclistas, passe-livristas, gays, pela Associação dos Pacientes da Espinhela Caída ou pela Federação das Pessoas Contra a Unha Encravada, é o que basta para que se impeça o acesso dos pacientes a essas instituições.
É preciso votar com urgência na Câmara — e Haddad tem maioria para isso — uma lei que proíba manifestações na Paulista e região. Que se faça o mapa dos hospitais, estabeleçam-se as respectivas áreas de influência de cada um e se as excluam dos locais passíveis de protesto e mesmo de celebração. É só uma questão de responsabilidade. A propósito: o que disse o prefeito vale também para a Parada Gay, suponho.
Vejam como são as coisas. Os evangélicos, como sabem, faziam a sua Marcha para Jesus na Paulista. Foram convidados a realizá-la em outro lugar. Aceitaram. Afinal, seu objetivo era celebrar a sua própria religião e suas convicções, não infernizar a vida alheia. Então ficamos assim: cristãos não podem tomar a Paulista porque, afinal, vociferavam alguns, o Brasil é um país laico. Certo! Mas pode receber baderneiros do Passe Livre e maconheiros? Por quê? Que lógica explica?
Por Reinaldo Azevedo
10/06/2013
 às 6:57

Governo destina 17% do total autorizado, e obras ficam no papel

Por Cristiane Bonfanti, no Globo;
Os investimentos do governo federal não avançaram nos primeiros quatro meses do ano, na contramão do discurso da equipe econômica, que prega o crescimento sustentável do país. Relatório do Tesouro Nacional mostra que, de janeiro a abril deste ano, o governo gastou R$ 22,9 bilhões ou 17,6% do total de R$ 130,4 bilhões autorizados no Orçamento da União. Proporcionalmente, o valor pago foi menor que o despendido no mesmo período do ano passado: R$ 21,1 bilhões ou 22,58% de um total autorizado de R$ 93,4 bilhões. No cenário atual, de um lento avanço no PIB e inflação em alta, a situação é preocupante. E o problema da credibilidade do país, agravado semana passada, depois que a agência de classificação de riscos S&P colocou a nota brasileira em perspectiva negativa, pode piorar a situação, afastando os investimentos privados.
Em proporção do PIB, os investimentos do governo federal ficaram estagnados nos quatro primeiros meses. Eles se mantiveram em 1,51% sobre o total de riquezas produzidas no país no período — mesmo índice dos quatro primeiros meses de 2012. Nos três órgãos responsáveis pelas obras de infraestrutura, que permitem à economia crescer sem pressionar os preços de bens e serviços, os investimentos também não deslancham, de acordo com os dados oficiais.
No Ministério dos Transportes, carro-chefe das obras de infraestrutura, caíram de 13,28% para 12,85% da dotação autorizada e ficaram praticamente estáveis em relação ao PIB, passando de 0,17% para 0,18%. Na Integração Nacional, recuaram de 14,03% para 9,69% do valor aprovado pelo Congresso e permaneceram em 0,06% do PIB. No Ministério das Cidades, mesmo com a manobra do governo — que passou a computar, em 2011, os subsídios ao programa Minha Casa, Minha Vida como investimento —, o valor pago caiu de 49,17% para 29,53% do autorizado e de 0,61% para 0,49% do PIB.
Nas contas do economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria, no acumulado em 12 meses até abril, os investimentos do governo federal estão estagnados em 1,35% do PIB. “O governo conseguiu conter os gastos no primeiro ano e postergou os reajustes de pessoal para este ano, com impacto de R$ 9 bilhões. Só que toda esta postergação, este espaço fiscal criado, não se transformou em investimento”, destacou o especialista.
Ministérios divergem dos dados
A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Margarida Gutierrez, especialista no assunto, observa que há uma paralisia no Estado, no que diz respeito à aplicação de recursos em infraestrutura. A seu ver, o governo precisa de mecanismos de controle eficientes para fazer as obras saírem do papel, com profissionais capacitados. Para ela, na iniciativa privada, os programas de concessão devem começar a se refletir nas obras a partir do ano que vem. “Não espero muito para este ano. Tudo leva tempo. Fazer licitação leva tempo, fazer obra leva tempo — considerou Margarida, que aposta em um crescimento do PIB entre 2,5% e 3% em 2013.”
(…)
Por Reinaldo Azevedo
09/06/2013
 às 7:45

LEIAM ABAIXO

— “Dirceu — A Biografia” e relatos de tortura e morte. Ou: Quem conta a verdade possível é a sociedade, não comissões fajutas de estado;
— Para certa imprensa, 70 mil evangélicos valem menos do que mil maconheiros;
— Desmoralizado na questão indígena, o pré-candidato Cardozo ganha uma manchete para atacar… Alckmin e dizer que não é pré-candidato…;
— Popularidade de Dilma segue alta, mas cai 8 pontos; em algumas categorias, essa queda chega a 24 pontos;
— Justiça abre processo contra José Dirceu para devolução do dinheiro desviado no mensalão;
— Terra de índio? A política indigenista brasileira virou terra de ninguém;
— Petistas davam apoio aos delinquentes que estão nas ruas, depredando o patrimônio público. Cadê o Supercoxinha?;
— Jaques Wagner decide financiar um museu em homenagem a um homicida que defendia o terrorismo e execuções sumárias;
— Aliados involuntários – Nas redes sociais, bandoleiros que infernizam São Paulo comemoram a cobertura feita pela TV;
— Novo ministro do STF não só concede entrevista coletiva como especula sobre a revisão da Lei da Anistia;
— Passe Livre? Lugar de delinquente é na cadeia ou na Fundação Casa;
— O escândalo da refinaria de Pasadena – Ministério Público investigará Petrobras por evasão de divisas e peculato;
— Cai a presidente da Funai, mas problema continua. E o nome do problema é Gilberto Carvalho;
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Por Reinaldo Azevedo
09/06/2013
 às 7:41

“Dirceu — A Biografia” e relatos de tortura e morte. Ou: Quem conta a verdade possível é a sociedade, não comissões fajutas de estado

Quem conta a verdade possível, em matéria de história, é a sociedade: seus pesquisadores, historiadores, jornalistas, comentadores. Por mais honestos que sejam os narradores sobre os fatos, as narrativas serão necessariamente distintas. E não apenas em razão do estilo de cada um. Haverá aquele a enxergar relação de causa e efeito onde outro vê ou mera correlação ou não mais do que um acidente. Ao ordenar os eventos, reconstruímos a realidade segundo o nosso entendimento. Onde, então, está a verdade — sempre partido do princípio de que todos são fiéis aos fatos, de que não existe mentira deliberada? Está nesse conjunto diverso de vozes e de entendimentos da realidade.
Assim se fazem as coisas nas sociedades livres. Instituir, pois, uma comissão estatal da verdade para definir a “versão oficial” dos fatos é mero exercício de truculência política, de vigarice intelectual e de pilantragem filosófica. A razão é simples: os elementos meramente fáticos, destituídos do contexto que lhes dá sentido, em vez de esclarecer o mundo, servem para obscurecê-lo ainda mais. Quando essa dita “comissão da verdade” pretende instituir uma “moral da história”, aí já estamos no terreno do mais asqueroso oportunismo. Por que essas considerações? O editor de VEJA Otávio Cabral acaba de lançar pela Editora Record o livro “Dirceu — A Biografia” (364 págs; R$ 39,90). Ali se narram verdades que, para escândalo do bom senso, não são do interesse daquela comissão instituída por Dilma Rousseff, embora essa também seja uma história de tortura de morte.
O fio condutor do livro é a vida de José Dirceu, personagem central do maior escândalo político da história brasileira, articulador do que foi muito bem definido por ministros do Supremo como uma tentativa de golpe nas instituições democráticas e republicanas. Ora, uma personagem com esse vulto, com todas as características evidentes do anti-herói, que força a própria estereotipia para entrar na galeria dos vilões, merece ter a vida esmiuçada. E Cabral se dedicou, então, a uma pesquisa detalhada para reconstruir a trajetória do chefão do PT. Como informa Thaís Oyama em reportagem na VEJA desta semana sobre o livro, o autor analisou 15 mil páginas de documentos, distribuídas em nove arquivos, e entrevistou 63 pessoas. É… O Dirceu do mensalão, chamado pela Procuradoria-Geral da República de “chefe de quadrilha”, não se fez por acaso. Cabral decidiu investigar o pântano em que nasceu tal flor e escreveu um livro que, acreditem, traz revelações surpreendentes. Eu diria que Dirceu é ainda mais Dirceu do que se supunha…
Se já conhecíamos, por exemplo, aspectos de sua biografia pessoal que pareciam pouco recomendáveis para consumo humano, o livro se encarrega de evidenciar que Dirceu não enganava pessoas apenas por necessidade; ele também o fazia por gosto. Volto a esse ponto mais tarde. Dentre as muitas revelações do livro, dou destaque a duas porque dizem muito sobre a personagem e também nos remetem à tal “Comissão da Verdade”.
José Dirceu, o homem condenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha, segundo o depoimento de uma das testemunhas da história, participou do assassinato de um sargento da Polícia Militar de São Paulo, em 1972. A morte ocorreu em uma das ocasiões em que ele voltou do exílio em Cuba — era um protegido de Fidel Castro —, em companhia de outros membros do grupo Molipo (Movimento de Libertação Popular), uma tentativa de movimento armado criado por exilados brasileiros em Cuba, financiado por Fidel. Lembro que o destino do Molipo ainda hoje gera especulações à boca miúda. Todos os dirigentes foram mortos pelas forças de segurança. Só Dirceu escapou.
Há uma outra revelação chocante: Dirceu comandou, segundo relato da época, o sequestro e sessões de maus-tratos de um jovem chamado João Parisi. Leiam trecho do livro:
O soldado da Força Pública Paulo Ribeiro Nunes e o estudante do Mackenzie João Parisi Filho, membro do CCC [Comando de Caça aos Comunistas], descobertos enquanto se passavam por militantes do movimento estudantil, foram levados vendados ao Conjunto Residencial da USP, o Crusp, onde os apartamentos 109, 110 e 111 do bloco G eram utilizados como uma “delegacia informal” da turma de Dirceu. Lá, foram interrogados e mantidos em cárcere privado (…) A Parisi, porém, foi dado tratamento de inimigo de guerra, segundo relato do delegado do DOPS Alcides Cintra Bueno Filho, em documento de 18 de agosto de 1970:
“Por determinação do ex-líder estudantil Jose Dirceu de Oliveira e Silva, concretizou-se o sequestro do então universitário João Parisi Filho, da Universidade Mackenzie. João Parisi Filho foi levado para o Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, onde permaneceu em cárcere privado por vários dias, submetido a sevicias. Nesse conjunto residencial, Parisi foi conduzido vendado e algemado, onde foi submetido a interrogatório, sob ameaça de morte. A vítima permaneceu presa durante dias, em condições desumanas. Após ter passado por esses atos de atrocidade, o estudante Parisi foi conduzido de olhos vendados para a copa do quinto andar do pavilhão G, onde foi trancafiado por uma noite e dois dias, permanecendo nesse local todo esse tempo deitado, com as mãos algemadas e presas ao cano da pia daquela dependência. Nessa situação, foi encontrado por duas empregadas que fazem a limpeza”.
Voltei
Pois é… São apenas duas de muitas histórias um tanto estarrecedoras sobre o Zé. Mais uma vez, temos uma medida do Paraíso na Terra que teria sido o Brasil se “eles” tivessem vencido a batalha. Não por acaso, Dirceu foi tomar lições sobre o que fazer em Cuba — e continua a defender até hoje com unhas e dentes a ditadura que o abrigou. Eis aí algumas contribuições importantes para a verdade sem crachá, para a verdade que não depende de comissão oficial.
Aqui e ali já se contou a história do Dirceu que viveu clandestinamente no Paraná, com o nome de Carlos Henrique Gouveia de Mello, casado com Clara Becker — que é a mãe do hoje político Zeca Dirceu. Muito bem! Veio a Anistia, e o homem não teve dúvida: revelou à mulher que, bem…, ele não era ele e se mandou. Ela ainda tentou salvar o casamento, mas foi inútil. Muitos já tentaram livrar a cara de Dirceu nessa história: “Ele só estava se protegendo e protegendo a sua família…”. É mesmo? Pediu, por acaso, licença à mulher, à mãe do seu filho, para usá-la como disfarce? Não, é claro! A biografia revela agora que Dirceu não enganava apenas por necessidade, mas também por gosto. Tinha uma outra mulher em São Paulo, chamada Miriam Botassi. Clara, assim, era enganada duas vezes: pelo militante político José Dirceu e pelo marido que julgava ter, Carlos Gouveia. Dirceu, como se vê, mudava de nome, mas não de caráter.
Que vida venturosa, não?
No livro, Cabral demonstra que, a partir de um determinado ponto, as trajetórias de Lula e Dirceu se imbricam. As relações nem sempre foram as mais pacíficas, e houve um momento em que o Zé encostou a faca do pescoço de Lula. Em troca do silêncio sobre a forma como o partido captava recursos para campanha, exigiu a presidência do PT e plenos poderes. Levou o que quis.
Eis aí: “Dirceu — A Biografia” ilumina a trajetória de uma figura central na construção e realização do projeto de poder petista. É a verdade sem crachá. É a verdade escrachada.
Por Reinaldo Azevedo

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